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Title: O encontro com a saúde mental: uma perspectiva ético-estética do cuidado
Other Titles: The encounter with Mental Health: an ethical-aesthetic perspective of care
Authors: Muniz, Marcela Pimenta
metadata.dc.contributor.advisor: Abrahão, Ana Lúcia
metadata.dc.contributor.advisorco: Tavares, Cláudia Mara de Melo
metadata.dc.contributor.members: Mourão, Lúcia
Tallemberg, Cláudia Aparecida Amorim
Tarouco, Cláudio de Azevedo
Issue Date: 2016
Citation: Muniz, Marcela Pimenta. O encontro com a saúde mental: uma perspectiva ético-estética do cuidado. 2016. 152 f. Tese (Doutorado em Ciências do Cuidado em Saúde) - Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2016
Abstract: A formulação de uma nova caminhada para o cuidado em saúde mental está sendo estruturada com base na evidenciação do sujeito e na construção de um sistema que viabilize alternativas adequadas ao vivenciar humano na dimensão cidadã e que supere a lógica tradicional do diagnóstico e tratamento previamente estabelecido segundo abordagens expertises. Este é um desafio que está colocado para os trabalhadores da saúde que buscam respaldar suas práticas em teorias objetivantes e protocolos bem estabelecidos na procura pela segurança de se ter um papel definido e garantido. O risco que se corre nesta dimensão “segura” encontra-se na contramão que se insere em relação à necessidade do cuidado individual, sobretudo, no campo da Saúde Mental. Dentre os desafios colocados à rede de Atenção Psicossocial no cenário contemporâneo, este trabalho propôs potencializar a construção do conhecimento a partir do reconhecimento das singularidades dos usuários para complexificar o olhar sobre o cuidado através de um discurso menos reducionista da vida. A partir do problema disparador, esta pesquisa teve como objeto de estudo “o encontro com o usuário no âmbito da Atenção Psicossocial”. Considera-se a noção de encontro pelo referencial da esquizoanálise como algo que é resultante da afetação dos corpos, em detrimento da indiferença. Os objetivos do estudo foram: Experimentar a pesquisa por meio da análise de implicações do pesquisador como legitimação dos afetos na produção de conhecimento; Avaliar a produção de cuidado a partir do regime ético-estético; Produzir sentidos para o encontro com a Saúde Mental a partir das singularidades dos usuários. Evitou-se enrijecer o processo da pesquisa; ao contrário, procurou-se caminhar junto com as mobilizações e potências, dificuldades, elaborações e propostas a cada momento. A partir da experimentação da pesquisadora no campo de pesquisa junto aos usuários do Centro de Atenção Psicossocial, o estudo trouxe a produção de dados sobre o cuidado a partir das produções dos encontros com os usuários. Propôs-se experimentar novos sentidos e olhares através da pesquisa em sua perspectiva estética, ressaltando-se a multiplicidade do ser que sente, pensa e age a partir das noções de diferença e singularidade, buscando recolher alguns efeitos dos encontros na pesquisa provocados nos participantes e em mim, a partir das interferências e dos encontros na pesquisa. O cerne das minhas considerações finais está no movimento, nos fluxos, e não em uma resposta com ponto final. Desta forma, não justifiquei ou legitimei neste estudo um conhecimento a respeito do cuidado, mas sim busquei (re)inventar, junto aos usuários co-pesquisadores uma noção de cuidado sob o prisma da diferença, da multiplicidade, e não da unificação ou totalização. Na produção dos dados emergiram intercessores para o encontro com a saúde mental e foram discutidas experimentações que apontaram para as ações da Rede de Atenção Psicossocial sob uma nova pensabilidade, a qual força a produção do cuidado em sua perspectiva imanente, em detrimento de perspectivas capitalísticas da totalização das formas do cuidado junto à pessoa portadora de transtorno psíquico grave. O tema da escuta foi algo que se produziu no estudo como algo que requer uma clínica menor para utilizarmos a plasticidade equilibrando-nos entre o extremo da surdez, o canto da sereia e o extremo da música gritante, para dar passagem às singularidades dos usuários. A partir dos dados produzidos na experimentação dos encontros no presente estudo, proponho para estudos futuros para a Saúde Mental uma “Produção do cuidado Órgão-sensível”. Para superar a sobrecodificação das singularidades, devemos utilizar um movimento de produção de cuidado pela diferença: rizoma e não somente arborescência. Há que se compor a transversalidade rizoma-decalque nas ações da Atenção Psicossocial. O decalque instituído preservará os “órgãos” minimamente necessários. Mas, este “órgão” não será totalitário ou fascista se houver a composição com vertentes rizomáticas, as quais colocarão os “órgãos” em função da promoção da vida e não do organismo, à medida que são nômades, espontâneas, abertas à multiplicidade. Assim, aponta-se que há a necessidade de articularmos elementos da Saúde Mental com a perspectiva do cuidado pela diferença, e não apenas por referências teorizantes especulativas produtoras do achatamento produtivo-desejante dos encontros. Além disto, a partir das singularidades destacadas nos dados desta pesquisa, recomenda-se que estudos futuros adentrem também especificamente a ciência da enfermagem utilizando-se por dentro dela as noções de plasticidade e de rizoma como máquinas de guerra que adensem o tema da prática da enfermagem em saúde mental. A partir da convivência com estas pessoas que foram co-pesquisadoras, aponta-se, em algumas situações, que a loucura nem mesmo deva estar instituída obrigatoriamente como tema da psiquiatria, o que nos aponta a antipsiquiatria como um caminho possível e necessário para as reflexões na RAPS. Nesta perspectiva, a RAPS se desinstituir-se do poder que ainda possui e exerce na vida das pessoas – apesar da sociedade moderna ainda preferir que o louco esteja nos serviços e lugares instituídos especificamente para ele e que os demais modos de vida e saúde não pertencem a ele – significará para a RAPS a possibilidade de sustentar a proposta da desinstitucionalização da loucura: libertá-la
metadata.dc.description.abstractother: The formulation of a new pathway for mental health care is being structured based on the evidence of the subject and on the construction of a system that allows adequate alternatives to the human experience in the citizen dimension and that surpasses the traditional logic of diagnosis and treatment previously established according to approaches. This is a challenge for health workers who seek to support their practices in objectifying theories and well-established protocols in the search for the security of having a defined and guaranteed role. The risk that runs in this "safe" dimension is contrary to the need for individual care, especially in the field of Mental Health. Among the challenges posed to the network of Psychosocial Care in the contemporary scenario, this work proposed to potentialize the construction of knowledge from the recognition of the singularities of the users to complexify the look about care through a less reductionist discourse of life. From the triggering problem, this research had as object of study "the encounter with the user in the scope of Psychosocial Attention". The notion of encounter by the frame of schizoanalysis is considered as something that results from the affectation of the bodies, to the detriment of indifference. The objectives of the study were: To experiment the research by analyzing the implications of the researcher as legitimation of the affections in the production of knowledge; To evaluate the production of care from the ethical-aesthetic regime; To produce meanings for the encounter with Mental Health from the singularities of the users. The process of research was avoided; On the contrary, it was tried to walk along with the mobilizations and powers, difficulties, elaborations and proposals at each moment. Based on the researcher's experimentation in the field of research with users of the Center for Psychosocial Care, the study brought the production of data about care from the productions of encounters with users. It was proposed to experience new senses and looks through research in its aesthetic perspective, highlighting the multiplicity of the being that feels, thinks and acts from the notions of difference and singularity, seeking to gather some effects of the encounters in research provoked in the participants and in me, from the interferences and encounters in the research. The crux of my endings considerations is in the movement, in the flows, and not in a response with the final point. In this way, I did not justify or legitimize in this study a knowledge about care, but rather I sought to (re)invent, together with the co-researchers, a notion of care under the prism of difference, of multiplicity, not of unification or totalization. In the production of the data emerged intercessors for the encounter with mental health and were discussed experiments that pointed to the actions of the Network of Psychosocial Attention under a new pensabilidad, which forces the production of care in its immanent perspective, to the detriment of capitalist perspectives of the totaling the forms of care with the person with severe psychiatric disorder. The subject of listening was something that was produced in the study as something that requires a smaller clinic to use the plasticity balancing us between the extreme of the deafness, the siren's song and the extreme of the screaming music, to give way to the singularities of the users. From the data produced in the experimentation of the meetings in the present study, I propose for future studies for Mental Health a "Production of organ-sensitive care". To overcome the overcoding of the singularities, we must use a movement of production of care for difference: rhizome and not only arborescence. It is necessary to compose the rhizome-decal transversality in the actions of Psychosocial Attention. The decal instituted will preserve the "organs" minimally needed. But this "organ" will not be totalitarian or fascist if there is composition with rhizomatic slopes, which will place the "organs" in function of the promotion of life and not of the organism, as they are nomadic, spontaneous, open to multiplicity. Thus, it is pointed out that there is a need to articulate elements of Mental Health with the perspective of care for difference, and not only by speculative theorizing references producing the productive-desiring meeting of the meetings. In addition, from the singularities highlighted in the data of this research, it is recommended that future studies also specifically enter nursing science using the notions of plasticity and rhizoma as war machines that add to the theme of the practice of Nursing in mental health. From the coexistence with these people who were co-researchers, it is pointed out, in some situations, that madness should not even be established as a subject of psychiatry, which points us to antipsychiatry as a possible and necessary way for reflections in the Network of Psychosocial Attention. In this perspective, Network of Psychosocial Attention deinstitute itself from the power it still possesses and exerts in people's lives - although modern society still prefers that the insane person is in the services and places specifically instituted for him and that other ways of life and health do not belong to it - will mean for Network of Psychosocial Attention the possibility of sustaining the proposal of the deinstitutionalization of madness: to liberate it
URI: https://app.uff.br/riuff/handle/1/10468
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