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Title: A Aritmética para o ensino comercial: um estudo a partir de manuais escolares
Authors: Silva, Virgínia de Freitas
metadata.dc.contributor.advisor: Soares, Flávia dos Santos
metadata.dc.contributor.members: Dassie, Bruno Alves
Nasser, Lilian
Souza, Fabiano dos Santos
Issue Date: 2020
Citation: SILA, Virgínia de Freitas. A Aritmética para o ensino comercial: um estudo a partir de manuais escolares. 2009. 121f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2020.
Abstract: No começo do século XIX, com a chegada da família Real ao Brasil, D. João VI viu-se na necessidade de estimular o surgimento de um ambiente propício à formação de uma elite capaz de prover os quadros administrativos da nova sede do governo imperial e formar profissionais liberais. Para isso, foram criadas diferentes instituições voltadas à administração pública, como o Banco do Brasil, e ao ensino superior. Ao lado da instrução primária que funcionava em aulas de “ler, escrever e contar” e das aulas de instrução secundária, também existiram no Brasil outras aulas destinadas ao ensino profissional como cursos de artes e ofícios e as aulas destinadas a homens que sabiam ler, escrever e calcular, com o objetivo de qualificar os comerciantes das principais praças comerciais do País. Criada a semelhança da aula congênere de Lisboa, a Aula de Comércio começou a funcionar no Brasil a partir de 1809 sob a jurisdição da Junta de Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação. Foram criadas Aulas de Comércio no Rio de Janeiro, Salvador e Recife. Em relação aos conteúdos estudados estavam presentes tópicos de Matemática, geografia, escrituração mercantil e economia política. A principal referência para o ensino da Matemática foi o livro Elementos de Arithmetica, de Bezout, usado em Portugal e no Brasil. Entretanto, outros livros começaram a ser escritos, especialmente a partir da reforma de 1846. Este trabalho tem como objetivo discutir sobre os conteúdos de Aritmética presentes em manuais didáticos para a instrução de comerciantes que circularam no Rio de Janeiro na primeira metade do século XIX. Tem como fontes dois livros de Aritmética comercial que circularam na época a saber, o Novo Tratado de Arithmetica Commercial de Paulo Perestrello da Câmara e a Arithmetica Elementar Commercial de João Guilherme Kottinger, publicados respectivamente em 1846 e 1847, após a reforma da Aula de Comércio no Rio de Janeiro. O conhecimento dos conteúdos propostos nas obras didáticas destacadas neste trabalho, ajuda a compreender o papel da Aritmética no escopo de formação do profissional do comércio no começo do século XIX e o uso desses conhecimentos na prática dos comerciantes. Constatamos que muitos dos conteúdos expostos nas obras de Artitmética guardam semelhanças com as Aritméticas comerciais publicadas desde a Idade Média. O que se percebe é que os conteúdos dessas obras se aproximam mais dos conteúdos práticos necessários ao comércio do que com o ensino a partir do livro de Bezout. Exemplos desses conteúdos são os juros simples e compostos; descontos e abatimentos; regras de companhia e de liga; cálculo de anuidades e amortização; pesos e medidas nacionais e estrangeiras; câmbios entre outros. As regras apresentadas buscam cobrir todo o sistema que envolve uma negociação: a organização da empresa e como são administrados os lucros e dividendos em uma sociedade; em que moeda a mercadoria é negociada; os juros ou descontos em produtos; quais as condições para a negociação dar mais lucro e menos prejuízo; as formas de garantia para que a mercadoria chegue ao destino, o preço a ser cobrado para o transporte, entre outros aspectos. Assim, espera-se que, a partir do estudo dos manuais escolares, tenha-se uma maior aproximação do ponto de vista histórico acerca dos conhecimentos de Aritmética e da cultura escolar presente nas Aulas de Comércio, durante as primeiras décadas do século XIX.
metadata.dc.description.abstractother: At the beginning of the 19th century, with the arrival of the Royal family in Brazil, D. João VI saw the need to encourage the emergence of an environment conducive to the formation of an elite capable of providing the administrative staff of the new seat of the imperial government and train professionals. To this end, different institutions were created for public administration, such as Banco do Brasil and for education such as military academies, aimed at higher education. In addition to the primary education that worked in “reading, writing and counting” classes and secondary education classes, there were also other classes in Brazil for professional education, such as arts and crafts courses and classes for men who knew how to read, write and calculate, in order to qualify traders in the main commercial plazas in the country. Created in the similarity of the Lisbon class, the Aula de Comercio began to operate in Brazil from 1809 under the jurisdiction of the Junta de Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação. Commerce classes were created in Rio de Janeiro, Salvador and Recife. Regarding the contents studied, topics of Mathematics, geography, bookkeeping and political economy were present. The main reference for the teaching of mathematics was Bezout's book Elementos de Arithmetica, used in Portugal and Brazil. However, other books began to be written, especially after the 1846 reform. This paper aims to discuss the contents of Arithmetic present in didactic manuals for the instruction of traders who circulated in Rio de Janeiro in the first half of the 19th century. There are two commercial Arithmetic books that circulated at the time, namely Tratado de Arithmetica Commercial by Paulo Perestrello da Câmara and Arithmetica Elementar Commercial de João Guilherme Kottinger by João Guilherme Kottinger, published respectively in 1846 and 1847, after the reforms in Aula de Comercio in Rio de Janeiro. The knowledge of the contents proposed in the didactic works highlighted in this work, helped to understand the role of Arithmetic in the scope of training of trade professionals in the early 19th century and the use of this knowledge in the practice of traders. We found that many of the contents exposed in the works of Artithmetic have similarities with the commercial Arithmetics published since the Middle Ages. What is perceived is that the contents of these works are closer to the practical contents necessary for commerce than to teaching from Bezout's book. Examples of these contents are simple and compound interest; discounts and rebates; company and league rules; calculation of annuities and amortization; national and foreign weights and measures; exchange rates among others. The rules presented seek to cover the entire system that involves a negotiation: the organization of the company and how profits and dividends are managed in a company; in which currency the commodity is traded; interest or discounts on products; what are the conditions for trading to yield more profit and less loss; the forms of guarantee for the goods to reach their destination, the price to be charged for transportation, among other aspects. Thus, it is expected that, from the study of school manuals, there will be a greater approximation from the historical point of view about the knowledge of Arithmetic and the school culture present in the Commercial Classes, during the first decades of the 19th century.
URI: https://app.uff.br/riuff/handle/1/16082
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