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Title: Maryse Condé, relatos (auto) biográficos
Authors: Ribeiro, Aída Maria Jorge
metadata.dc.contributor.advisor: Figueiredo, Eurídice
metadata.dc.contributor.members: Pino, Claudia Consuelo Amigo
Pontes Junior, Geraldo Ramos
Cardozo, Irene Correa de Paula Sayão
Campos, Laura Barbosa
Issue Date: 6-Jun-2017
Abstract: Esta tese se propõe a discutir em que medida a literatura constitui um viés de resgate memorial de um indivíduo e, ao mesmo tempo, da sociedade em que se insere. Também pretende mostrar como as leituras constituem uma genealogia literária e colaboram para a formação da identidade de leitores e escritores. Para tal, serão consideradas quatro obras da escritora antilhana Maryse Condé: Le coeur à rire et à pleurer- souvenirs de mon enfance (1999), Victoire, les saveurs et les mots (2006), La vie sans fards (2012) e Mets et merveilles (2015). Entre Maryse Condé e seu leitor, que entra (ou não) no jogo proposto pela narrativa autobiográfica, estabelece-se uma espécie de “pacto” entre quem escreve e quem lê: de um lado, tem-se a autora, desejosa de escrever, de ser lida e reconhecida, que se compromete a dizer a (sua) verdade, esperando, em troca, um comprometimento afetivo por parte do leitor; do outro lado, encontra-se o leitor que, perante as vivências partilhadas com a narradora, dificilmente permanecerá incólume, manifestando reações diversas (da adesão à rejeição, da identificação ao distanciamento), podendo mesmo colocar-se a si próprio em causa. Esse jogo, aliás, é proposto em todo texto literário, mas no caso da narrativa autobiográfica, a cooperação textual é ainda mais premente, já que o sucesso da sua recepção depende da predisposição do leitor para pactuar com uma lógica discursiva que cria uma teia narrativa de ilusões, que parece ser uma coisa, mas que, na realidade, pode ser muitas outras. A escritora antilhana, nesses relatos, recorda, escreve e lê o passado, o que implica necessariamente a evocação de uma ausência recuperada pelo poder das palavras através da memória ou da imaginação transfiguradoras. Nesse sentido, os relatos (auto) biográficos de Condé são narrativas que representam um desafio face ao esquecimento e às traições da memória, uma possibilidade face às dificuldades enfrentadas na busca do autoconhecimento e uma confirmação das capacidades da linguagem para recuperar e recriar vivências e mundos possíveis. Eles constituem, afinal, um contributo literário para a busca de respostas em torno das inúmeras questões sobre a autobiografia, seus modos de fazer e seus modos de ler, sugestões de receitas (sempre mutáveis, é claro) sobre os modos possíveis de se contar a própria vida, sempre um compósito da vida dos seus, dos lugares pelos quais passou e também de suas leituras e incontáveis interpretações
metadata.dc.description.abstractother: Cette thèse se propose à discuter dans quelle mesure la littérature constitue un moyen de réappropriation mémorielle de l’individu ainsi que de la société dans laquelle il est inséré. Elle a également l'intention de montrer comment les lectures sont une généalogie littéraire et collaborent pour la formation de l'identité de lecteurs et d'écrivains. Quatre ouvrages de l'écrivaine antillaise Maryse Condé seront analysés: Le coeur à rire et à pleurer- souvenirs de mon enfance (1999), Victoire, les saveurs et les mots (2006), La vie sans fards (2012) et Mets et merveilles (2015). Entre Maryse Condé et son lecteur, qui entre (ou non) dans le jeu proposé par le récit autobiographique, se met en place une sorte de «pacte» entre celui qui écrit et celui qui lit: d'une part, nous avons l'auteur, désireux d'écrire, d'être lu et reconnu, qui se charge de dire (sa) vérité, en attendant, en échange, un engagement émotionnel du lecteur; d'autre part, nous trouvons le lecteur qui, vis-à-vis des expériences partagées avec le narrateur, ne pourra pas demeurer indemne, exprimant des réactions diverses (de l’adhésion au rejet, de l’identification à la distance) il peut même se remettre en question. Ce jeu est, d'ailleurs, présent dans tous les textes littéraires, mais dans le cas du récit autobiographique, la coopération textuelle est encore plus importante, puisque le succès de sa réception dépend de la volonté du lecteur de collaborer avec une logique discursive qui crée un tissu narratif d’illusions, qui paraît quelque chose, mais en fait, peut être beaucoup d'autres. L'écrivaine antillaise, dans ces récits, se souvient, écrit et lit le passé qui implique nécessairement l'évocation d'une absence récupérée par le pouvoir des mots par la mémoire ou l'imagination qui transfigurent. Dans ce sens, les rapports (auto) biographiques de Condé sont des récits qui représentent un défi contre l'oubli et les trahisons de la mémoire, une possibilité face aux difficultés de l'auto-recherche et la confirmation des capacités de la langue pour récupérer et reconstruire des expériences et des mondes possibles. Ils sont, après tout, une contribution littéraire à la recherche de réponses sur les nombreuses questions concernant l'autobiographie, les façons de faire et les manières de lire, des suggestions de recettes (toujours mouvantes, bien sûr) sur comment l’on peut raconter sa propre vie, toujours un composite de la vie des autres, des lieux parcourus et aussi de lectures et des innombrables interprétations
URI: https://app.uff.br/riuff/handle/1/3789
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