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Title: Registro de paleotemperaturas na Plataforma Continental de Cabo Frio, Rio de Janeiro, ao longo dos últimos 13.000 anos
Authors: Oliveira, Alice Cruz Candido de
metadata.dc.contributor.advisor: Albuquerque, Ana Luíza Spandano
metadata.dc.contributor.advisorco: Turcq, Bruno Jean
metadata.dc.contributor.members: Barbosa, Cátia Fernandes
Silva Filho, Emmanuel Vieira da
Lamego, Francisco Fernando Simões de
Souza, Silvia Helena de Mello e
Issue Date: 2008
Abstract: Os testemunhos CF02-01B e CF02-02B foram coletados na plataforma continental de Cabo Frio(23º11´ S e 42º47´ W) com o objetivo geral de reconstruir a temperatura da superfície do mar (TSM) nos últimos 13.000 anos cal, com base na fauna e na composição isotópica (δ18O) de foraminíferos planctônicos. Cobrindo os últimos 13.000 cal, o testemunho CF02-02B registrou o final do Pleistoceno e todo o Holoceno e mostrou seis fáceis sedimentares as quais registraram a evolução sedimentar da plataforma continental durante o Holoceno. O testemunho CF02-01B cobriu os últimos 4.000 anos e permitiu uma melhor resolução do comportamento da TSM na área de estudo durante este período. O estudo da fauna de foraminíferos planctônicos mostrou duas espécies dominantes: Globigerinoides ruber (Gr) e Globigerina bulloides (Gb, as quais, de acordo com a sua ecologia, podem ser consideradas indicadoras da AT e da ACAS, respectivamente. A temperatura de calcificação de G.ruber e de G.bulloides atestou a preferência destas espécies por águas quentes (AT) e frias (ACAS). Desta forma, a razão Gb:Gr foi aplicada como um indicador da TSM, assim como, o fluxo de G.bulloides, nos valores do δ18O de G.ruber e de G.bulloides. Uma estimativa dos valores absolutos de TSM foi obtida a partir da Técnica do Análogo Moderno (TAM). De acordo com estes marcadores, o padrão de variabilidade da TSM de Cabo Frio apresentou três fases. Fase (1) entre 13.000 e 7.000 anos cal AP, onde a TSM estimada, provavelmente, esteve associada à intensas variações no nível do mar, à variações da temperatura atmosférica e à mudanças na circulação termohalina. Esta fase foi marcada pela amplitude da variabilidade da TSM, onde se registrou o Younger Dryas, em torno de 12.000 anos cal AP e a influência gradativa da ACAS (Água Central do Atlântico Sul) na região de Cabo Frio com o início do Holoceno. A TSM estimada esteve entre 26,4 e 10,3 ºC. Fase (2) entre 7.000 e 3.500 anos cal AP. Esta fase foi marcada por uma menor variabilidade da TSM, bem como, pela TSM mais elevada que indicou a predominância da Água Tropical (AT) na plataforma continental de Cabo Frio. Sendo assim, uma fase de ressurgência fraca. A TSM estimada esteve entre 25,6 e 18,2ºC. Fase (3) a partir de 3.500 anos cal AP. Nesta fase, a TSM apresentou alta variabilidade, no entanto, com uma tendência à baixa temperatura que indicou a predominância da ACAS na plataforma continental de Cabo Frio, caracterizando assim, uma fase de ressurgência fortalecida. A TSM estimada esteve entre 26,4 e 16,0 ºC. O padrão de variabilidade da TSM observado ao longo dos últimos 13.000 anos cal foi similar àquele observado para o Carbono Orgânico Total (COT). A alta correlação entre o COT e o fluxo de G. bulloides confirmou a relação entre a TSM e a ressurgência de Cabo Frio. Dentre os fatores que condicionaram o padrão de variabilidade da TSM e da ressurgência de Cabo Frio, tendo em vista, a clara relação entre eles, pode-se destacar a intensidade e freqüência dos ventos de NE que promovem a ressurgência, o sistema de frentes frias que modifica o padrão de ventos inibindo o processo de ressurgência, a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) que promove o bloqueio dos sistemas polares, favorecendo o processo de ressurgência e os Eventos ENOS (El Niño-Oscilação Sul) que provavelmente foram responsáveis pela alta variabilidade da TSM observada na fase três. Desta forma, o registro da variabilidade da TSM de Cabo Frio parece exibir uma correlação com eventos climáticos do Atlântico Norte e fornece evidências para a existência de teleconexões globais entre os climas regionais. Assim, a fauna de foraminíferos planctônicos mostrou-se uma ferramenta eficiente no estudo das condições paleoceanográficas de Cabo Frio, uma vez que as mudanças nas assembléias e na composição isotópica do δ18O das carapaças podem ter ocorrido em função da dinâmica das massas d’ água na Plataforma Continental de Cabo Frio durante os últimos 13.000 anos cal AP.
metadata.dc.description.abstractother: Planktonic Foraminifera and isotopic composition (δ18O) of Globigerinoides ruber(Gr) and Globigerina bulloides (Gb) were used to reconstruct SST variations in the coastal shelf of Cabo Frio (23º11´ S and 42º47´ W) for the past 13.000 cal yr. For this, two cores(CF02-01B e CF02-02B) were drilled. CF02-02B core covered the last 13000 years cal and registered the late Pleistocene and the whole Holocene. It presented six litologics units which registered the evolution of the coastal shelf during the Holocene. CF02-01B core covered the last 4000 years and allowed a better SST resolution. The species Globigerinoides ruber (Gr) and Globigerina bulloides (Gb) were consider dominants in the planktic foraminifera assemblages. These species are markers of the TW (Tropical Water) and SACW (South Atlantic Central Water), respectively. The average calcification temperature of G.ruber and of G.bulloides confirmed the preference of these species for warm waters and cold waters, respectively, justifying the use of the ratio Gb:Gr as marker of the SST. The SST varibility estimate was based on the ratio Gb:Gr, on the G.bulloides flux, on the δ18O G.ruber and G.bulloides. The absolute SST was estimate based and on the Method Analog Technique (MAT). According to these markers, three phases are characterized. Phase (1) between 13000 and 7000 years BP, the estimated SST was associated to the intense variations on the level of the sea and the thermohaline circulation changes and variations in the atmosferic temperature. This phase is characterized by the high amplitude of the SST variability, in which Younger Dryas was registered, around 12000 years cal BP and the gradual influence of the SACW in the region of Cabo Frio during the earlier Holocene. According MAT, the estimated SST ranged from 26,4 to 10,3 ºC during phase I. Phase II, between 7000 and 3500 years cal BP was characterized by low variability of the SST, as well as the higher SST which indicates the predominance of TW on the coastal shelf of Cabo Frio, suggesting, a upwelling weak phase. According MAT, the estimated SST ranged from 25,6 to 18,2 ºC. Phase III, after 3500 years cal BP, presents again high SST variability, however, showing a tendency to low temperatures, which indicates the predominance of the SACW on the coastal shelf of Cabo Frio, suggesting stronger upwelling phase. According MAT, the estimated SST ranged from 26,4 to 16,0 ºC. The SST variability observed over the last 13000 years cal BP was similar to the Total Organic Carbon (TOC). The high correlation between the TOC and the flux of G. bulloides confirms the relation between the SST and the upwelling of Cabo Frio. Among the factors that have conditioned the SST pattern of variability of Cabo Frio, it can list: the intensity and the frequency of the NE winds that promote the upwelling; the cold fronts system that control the pattern of the winds, and thus inhibiting the upwelling; the SACZ (South Atlantic Converge Zone) that promotes the blocking of the polar systems, favoring the upwelling and the El Niño-Oscillation South (ENSO) events that were very likely to be the responsible for the high SST variability observed in the third phase. The variability of SST in Cabo Frio along the Holocene seems to exhibit a correlation with climatic events of the North Atlantic and provides evidences for the existence of teleconnections between the regional and global climates. Then, planktic foraminifera showed an efficient tool for the study of the paleooceanographic conditions of Cabo Frio coastal shelf.
URI: https://app.uff.br/riuff/handle/1/8544
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