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Title: Que das trevas se faça a luz : a fratura e renascimento do cânone
Authors: Silva, Lucas Calil Guimarães
metadata.dc.contributor.advisor: Mancini, Renata Ciampone
metadata.dc.contributor.members: Oliveira, Lucia Teixeira de Siqueira e
Júnior, Adalberto Müller
Lopes, Ivã Carlos
Portela, Jean Cristtus
Issue Date: 10-May-2019
Abstract: O universo das manifestações semióticas – ou seja, dos atos enunciativos que pro-duzem efeitos de sentido – se organiza, segundo Fontanille (2015), a partir de for-mas de vida que regulam e determinam os valores e estratégias aceitos e reconhe-cidos socialmente. No espaço cultural em que indivíduos e coletividades intera-gem, ocorre a concordância entre sujeitos, na reprodução de sentidos já canônicos, e a emergência inesperada, em oposição às estruturas semióticas canônicas, de enunciados de natureza inovadora frente ao núcleo social em que se inserem. O processo de emergência do anticanônico obedece, sob o ponto de vista social, a re-gras de difusão (GRANOVETTER, 1973) e de articulação vetorial entre forças dota-das de capital global (BOURDIEU, 2015), de modo que o despertar de uma descon-tinuidade sobre uma continuidade depreende, sob a perspectiva semiótica, a re-configuração de formas de vida anteriormente estabelecidas. Estas, se aceitas cole-tivamente, podem posteriormente se converter em práticas e em outras formas de vida canônicas, em processo que se inicia com isolado acento concessivo de rejei-ção ao cânone e se alastra à replicação, para além do estilo autoral de origem, por outros indivíduos que reconhecem a estratégia inovadora enquanto admissível. Esse jogo entre cânones e inovações perpassa as semiosferas (LOTMAN, 1999), os espaços em que as linguagens se articulam socialmente, com os centros ocupando o locus moderador das práticas e estratégias, e as periferias, o local de irrupção dos discursos inovadores. E, para que a inovação seja aceita entre as formas de vida centrais, faz-se necessária, pela enunciação, com o entendimento aspectual de oposição entre o nós e o eles, a convocação de valores que não impliquem completa rejeição, em conformidade com os regimes de crença que determinam cultural-mente o que é crível e o que é inacreditável. Com a expansão espaço-temporal da inovação, seguindo o modelo tensivo (ZILBERBERG, 2011) de anulação da singula-ridade do acontecimento, o objeto inicialmente insólito se propaga e se reorganiza como nova forma de vida, com coerência – quanto ao plano de expressão – e con-gruência – quanto ao plano de conteúdo. O percurso que ilustra e exemplifica esse processo de fratura e estabilização do cânone se abre com a releitura (CALIL, 2014) das manifestações relacionadas à escuridão pelo preto e pela ausência de ilumina-ção; posteriormente, as etapas de reconstrução do cânone (ruptura inicial; renova-ção; estabilização) analisam, em diferentes objetos e níveis de pertinência, de que forma as isotopias regularmente reiteradas pela escuridão canônica (a solidão, a morte, a violência, a cegueira) são recobertas pela brancura e pela exaberbação de luminosidade
metadata.dc.description.abstractother: The universe of semiotic manifestations — that is, of enunciative acts that produce meaning effects — is organized, according to Fontanille (2015), by forms of life that regulate and determine the values and strategies accepted and socially recognized. In the cultural space in which individuals and collectivities interact, there is an agreement between persons in the reproduction of already canonical senses, but as well the unexpected emergence, as opposed to canonical semiotic structures, of enunciates of an innovative nature, by the social standpoint in which they interact. The process of emergence of the anti-canon organically obeys rules of diffusion (GRANOVETTER, 1973) and the vectorial articulations between forces endowed with global capital (BOURDIEU, 2015), so that the semantic appearance of a dis-continuity on a continuity, from the semiotic perspective, reconfigurates previously established forms of life. Those new practices, if accepted collectively, can later be converted into other canonical practices and forms of life, in a process that begins with an isolated concessive accent of rejection of the canon and, afterwards, spreads to replication, in addition to the authorial style of origin, by other individu-als — those who recognize the innovative strategy as admissible. This duel between canons and innovations permeates semiospheres (LOTMAN, 1999), the spaces in which languages are socially articulated, with the centers occupying the moderation locus of practices and strategies, and the peripheries, the place where pioneering discourses irrupt. In order for innovation to be accepted among the central forms of life, it is necessary, by the enunciation, with the aspectual understanding of the op-position between us and them, the invocation of values that do not imply complete rejection, in accordance with the belief systems that culturally determine what is believable and what is unbelievable. With the spatial-temporal expansion of the in-novation, following the predicaments of the tensive model (ZILBERBERG, 2011) to understand how the singularity of the event is annulled, the initially unusual object propagates and reorganizes itself as a new form of life, with coherence — as for the plan of expression — and congruence — as to the plan of content. The path that illustrates and exemplifies this process of fracturing and stabilization of the canon opens with the re-reading (CALIL, 2014) of the manifestations related to darkness by the color black and the absence of illumination; later, the stages of canon recon-struction (initial rupture, renewal, stabilization) analyze, in different objects and levels of pertinence, how isotopes regularly reiterated by canonical representations of darkness (loneliness, death, violence, blindness) are manifested, instead, by whiteness and exaberbation of luminosity
URI: https://app.uff.br/riuff/handle/1/9974
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